agosto 31, 2010

Além das palavras

"Eu te amo" nada significa, quando não entendemos as entrelinhas do que o outro fala. Se não amamos do modo esperado, não basta (estamos realmente vendo o outro ou apenas as nossas projeções?). Então,"eu não te amo", passa a  completar as lacunas, quando é só nisso que queremos/conseguimos acreditar. E se assim escolhemos, deste modo se torna. Um mero sim ou não. Simples, concreto e pequeno. Diferente de tudo que faz alusão ao amor. E todo resto, além das monossílabas, onde está? Frente ás frustrações, somos mestres em enxergar preto e branco. Temos o cruel poder de resumir toda uma história a uma única visão narcisista, turva e criada por nós. 

agosto 30, 2010

Voltemos a isto


Voltemos a isto, ao cálculo dos danos,
na máquina do mundo, à impotência do riso,
contra tudo o que não sabemos mudar:
a morte, o egoísmo, o levadiço coração humano.
Porque não há mais nada (ok, há o amor – vai-te foder).
E nos negócios da razão, o pessimismo é a moeda do momento.
Regressemos ao ruído, à sombria comissão liquidatária
desta fábrica de trapos coloridos, se não há melhor emprego para a culpa
e os domingos custam dias a passar.

José Miguel Silva

agosto 29, 2010

Pés molhados

O medo que se sentia no início era até bonito
O belo medo de ousar abrir os olhos ao inexplicável
Ao incontrolável

A primavera se anuncia
As abelhas beijam
As primeiras flores rosas
Na frondosa paineira

A cena do nosso jardim
Lembra a estação que tudo renasce
Faz com que ele lembre
Dos cabelos negros
E os olhos arredios
Contrastando com a maneira de lhe fazer rir
Nas florestas e cachoeiras e rios
Por onde andavam
Procurando naturezas
Botânica, encantos e palavras

E agora a primavera renasce
A vida desabrocha novamente
Porém ela nem vê
Há momentos em que nada importa
Se a primavera não vier de dentro
Mas isso o homem do campo não imagina
Pois se os botões já estão abertos
Ele já pode os oferecer

agosto 28, 2010

Pessoa


Tem gente que chega,
faz casa,
abre janelas,
ameniza dores,
e depois,
nos prende a alma
de um jeito
que a gente não vive sem ela.

Sirlei L. Passolongo

Retiro

Nada de ruídos, sombras ou palavras
Canção interna, sem som
Café, lápis, papel e paredes  

Personagem de cinema mudo
Confissões em monólogo
A fumaça do cigarro, silenciosa e branda

Pacífica madrugada, insone
Ir dentro de si e achar o silêncio que esconde tanto
Aguar plantas, mexer nos próprios cantos
Repensar e (des) pensar desajustes
Desconfigurar pensamentos
Emudecer na melodia do retiro
Só, na essência necessária
Acompanhado pela solitude
E não pela solidão.

É!

AND...
 !

agosto 26, 2010

Eu não sei


A música "Pessoa" da Marina Lima faria um bom par com esta foto... Ou talvez, tenha mais sentido ao som de "Não sei dançar" da Marina Lima...Dúvida. Quem sabe as duas? Uma após a outra...Uma após a outra...


agosto 24, 2010

Amar é pensar

Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distracção animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero.
Quero só Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.
 
Alberto Caeiro

agosto 22, 2010

Perguntas

Não sei como caminhar da minha boca à tua casa,
a tua casa repleta de confusão e paz.
Não sei como sair da mistura da tua boca,
para o caminho da minha casa, sem respostas.
Talvez, ainda não tenha aprendido a lidar com o e essencial:
As nossas perguntas.

agosto 18, 2010

A casa

Eu só queria encontrar um equilíbrio naquela casa que nunca pareceu ser minha. Foram baldes de tintas coloridas, jogadas nas paredes pra tentar entrar no tom. Havia fotos grandes, pequenas, espalhada por todo espaço frio daquela casa gelada com lareira. Se você precisa marcar um território, está claro que não é seu, não é? O domínio daquele chão não me pertencia (será que existia mesmo um chão?). E o que não era meu, confundia, consumia porque vivia me espremendo e dizendo: aqui não é mais o seu lugar, mas fica. A verdade é que doía, sempre doeu.

agosto 16, 2010

Quando


Dai-me falta de ar, tontura e rítmo
Movimenta-me
Deixa que me falte as palavras
Solta o meu riso simples, bobo
Gela minha barriga e alma
Sou criança quando te vejo
Flutuante
Arrepiada frente a imagens mudas
 Apenas o sentir me interessa, quando.

agosto 14, 2010

Significados

Quando me encontro em ti ficam trilhas dos teus pedaços na minha pele, por tempo indefinido. As marcas gravadas do lado de dentro são eternamente tuas, independente de todo o resto. Se percebes a sutileza de mãos que facilmente se encaixam, então entendes o complexo significado de Para Sempre. 

agosto 12, 2010

Para uma grande garota


Têm os tais olhos puxados com jeito de sono, cheios de observações e brilho. São definitivamente, olhos de falcão, como o segundo nome dela sugere. O primeiro nome? Significa nascer da lua, deve ser por isso que o cabelo solto, ondulado e negro como a noite é um dos alvos de atenção. Magra, pernas compridas com um estilo leve, único que só ela sabe carregar. Mãos nos bolsos, opiniões fortes e um abraço apertado que desarma qualquer um. Dizer que esta moça é inteligente seria pequeno. Ela é sábia. Apesar da pouca idade, o faro, a percepção e as palavras são armas que ela sabe usar precisamente. Não são capacidades adquiridas e sim intrínsecas, talvez por isso sejam tão marcantes. Bela, arredia, incomum. Fiel. Intensa, uma leoa por constelações. Adimirável. E eu tenho sorte, sabe? Sorte de ter essa grande garota por perto. Jaci, obrigada por estar por aqui.

Feliz, feliz, feliz aniversário minha amiga!

agosto 09, 2010

You make me feel so beautiful


Quando os olhos se despedem já é noite e é impossível parar de sorrir.
Flutuante, resta caminhar sentindo o coração batendo forte.
Mente atordoada, confusa,
De que servem pensamentos, quando o melhor são as sensações?
Pela calçada, o asfalto da rua, e a encantadora noite fria.
Uma menina com passos de mulher
Abrindo o casaco o vento no ventre, na pele, no peito, atravessa a blusa vermelha.
7 graus parecem 30
Quem se importa?
O caminhar mais rápido.
O riso alto agora.
Sozinha, com os instantes anteriores,
Revive cada movimento ao fechar os olhos.
Para olhos úmidos, os faróis são luzes trêmulas que cortam a névoa brincando de desenhar,
E o ar que arfa o peito nesse instante é só mais um detalhe,
Da sensação maravilhosa de estar viva.

agosto 07, 2010

Meu amor


Meu amor, eu te odeio
Você me perturba
E um dia ainda vou conseguir te matar
Meu amor, não sei o que eu sinto
Tô num labirinto
E esqueci de trazer um fio prá retornar
Mas meu bem, tudo bem
Meu bem, tudo bem
Eu juro que levo teus olhos castanhos comigo
Meu amor, não fale comigo
Sou teu inimigo
E um dia ainda vou conseguir te matar
Amor, cale tua boca
E tire tua roupa, benzinho
E vamos acalmar nossa dor
Mas meu bem, tudo bem
Meu bem, tudo bem
Eu juro que levo teus olhos castanhos comigo :-)

Bili Rubina - Yanto Latiano

agosto 03, 2010

Romance


Todas as pessoas que eu conheço
Cabem bem juntinhas na palma da mão
Pra você guardei um universo
E quando falta espaço...
...eu faço um verso.


Techo da música Romance de Nei Lisboa