A cozinha espera minha atenção.
Sobre a pia ainda há restos de café na xícara.
E a solidão de mim pedindo urgência.
Era pra ser um dia normal.
Apesar de que comigo nenhum dia é normal.
A mesa por limpar.
No som um lounge qualquer.
Apesar da falsa quietude, há algo difícil de ser digerido.
François anda atrás de mim, mia, pede a ração, inquieto.
Alguém liga e conta coisas que eu já sei.
Avoada. Estou fora da linha, longe daqui.
E o fogão? Preciso lembrar de desligar o fogo antes de ir.
Eu ia onde? Ia buscar no quarto alguma coisa de você.
5 comentários:
A DOR DA AUSÊNCIA...
Bonito texto.
Obrigada por sua visita em meu blog. Aproveite para conhecer os outros, tá?
Bjs.
Lembrei de uma canção de uma amiga minha que fala de uns personagens que poderiam muito bem ter vivido esse texto. Eu gosto de crônicas matinais, como se ao ler sobre as coisas que se pode dividir nas primeiras horas do dia eu pudesse especular e fazer de conta que algum dia aquele texto poderia ser escrito em meus dias. Ainda acho que as cozinhas ou são um dos lugareas mais "à dois" que pode existir ou são uma hipérbole para a solidão.
*sigh*
adoro textos que falam por mim.
Acho que a inquetude anda tomado conta de nós
O que mais me admira é poder ver que ainda temos quem faz poesia. A sua, simples, prática e bonita, levantando questões próprias de sua mente, é realmente boa.
Meus elogios sinceros: congratulações.
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