março 19, 2010

Acordar

Ele sempre acordava cedo, cansado de ficar sozinho acordava ela também.
Ela dormia e acordou assustada com o barulho: ele tocava bateria no quarto ao lado.

- Não teria maneira mais delicada de me acordar não?

Silêncio e constrangimento, ele sempre foi desligado, e estava acustumado a morar sozinho.
Mas surgiu a idéia e então esse passou a ser um momento importante:
O de acordar.

No dia seguinte quando ela despertou, estava ele sentado na cama tocando Elvis no violão, enquanto cantava baixinho, com um chapéu de cowboy, que até hoje ele jura não saber de onde saiu. Foi engraçado e bem bonitinho. Desde esse dia o repertório variou: músicas francesas de Carla Bruni a Aznavour; em espanhol de boleros e tangos a mariachi para os dias de humor irreverente; bossa nova; jazz, e mais Elvis. Beijos e as vezes só ficar olhando e tomando chimarrão na porta do quarto, esperando que de alguma maneira mágica o olhar a acordasse. E dava certo.

Além disso, tantos outros detalhes haviam naqueles dias.
Que faziam nutrir um amor de cotidiano. Constituído nas pequenas coisas, e nas grandes doses diárias de paciência e compreensão.
Diante disso, o tempo era quase nada.

4 comentários:

Rafael Ayala disse...

Poxa, que bonito!

Acordar com música, (dependendo do volume e da música, né?) que beleza!

E o amor engloba tudo isso mesmo, pequenas coisas, gestos, paciência sim, muita, mesmo, compreensão.

Muito bonito.

Beijos!
=]

angela disse...

É magico acordar com musica tocada especialmente para a gente.
Aproveite
beijos

Josi Puchalski disse...

Eu acho esse texto especialmente bonito.

Anônimo disse...

Mon coeur le temps est seulement le temps,
rien pour nous. et je t'aime aujourd'hui et toujours parce que je suis ton. N'importe oú