março 10, 2010

Amanecer

As gotas de chuva te trazem no cheiro da grama molhada.
A tempestade da noite se fantasia de orvalho.
O trigo já não é mais novo, e seu verde agora se veste de dourado.
O senhor das sombras faz desenhos
Nos campos e nos cabelos, curvando-os ao seu sabor.

A imensidão que enche o peito engana os olhos.
Respire-se esse ar de vastidão!
Vastidão de manhã fria
De primavera que não acordou.

O senhor da luz também brinca.
De fazer sombras
Sem fazer movimento.
O céu negro se faz iluminar.
Tentando mesmo espelhar-se na plantação.

O Astro-Rei descobre nosso espectro no chão.
A soberba de virar-lhe as costas
Desvenda um tapete verde à frente.
Animais ao longe.
Um espelho d’água.

O orvalho gelado para os pés
Ao molhar a roupa nem se sente.
A árvore dá sombra aos cavalos,
Que pastam alheios ao que se passa.

Saboreia-se em verdade a sensação
De ser parte do esplendor que se vê.
Para além do que se pode pensar
Então, muito mais do que um só corpo pode sentir.

3 comentários:

Anônimo disse...

Agradeço as suas muitas visitas.
Saudades........Estive um pouco ausente.

Obrigada por vir amiga.

Boa Noite! Beijos & Poesia!

Rafael Ayala disse...

De uma beleza sem igual.

"Saboreia-se em verdade a sensação
De ser parte do esplendor que se vê".

Eu li e reli já, e tento encontrar palavras pra dizer algo mais e não consigo, minha mente viaja com tuas palavras...
beijos!
=]

HOMEM (IN) COMUM disse...

Tens facilidade com as palavras que fluem bem em seus pensamentos... Deveras estarias em muitos e muitos cantos repletos da poesia em música. Espacinho bonitinho. Este seu.