Penso que a maioria das lembranças, são como os sonhos: desejos revestidos de fantasia. Certamente o são em menor grau, mas nem por isso completamente confiáveis. Quanto mais longínquas maior a margem da imaginação. Ou, para os amores distantes quanto maior a saudade maior a idealização...
Mas, o caso é que o que se vive se percebe e se registra podem ser tão diferentes como o sol ao amanhecer e ao entardecer, quando a luminosidade é até parecida, mas os momentos bem distintos.
Então, depois que vivemos, as lembranças são como o teatro. Nunca cansam de fantasiar e de dar-nos ilusão. Neste caso a ilusão de que temos memória perfeita;
A qual, por sua vez, é um lugar de névoas. De onde se pode tirar tudo, ou às vezes nada.
Onde algumas coisas permanecerão até o fim sem que sequer saibamos que ainda estão lá. De onde tantas outras coisas podem retornar sem nossa vontade. E onde certamente temos nosso melhor álbum de fotografias.
De qualquer forma é ruim pensar que tudo aquilo que lembramos não é (ou foi) exatamente assim. Não nos sentimos tão donos de nós mesmos se as coisas não foram como acreditamos que foram... se a nossa vida não é como lembramos dela...
E assim, é melhor a gente fingir que não sabe de nada disso...
E esquecer dessa conversa.
4 comentários:
Sabe aquela frase da música do Cazuza: "O nosso amor a gente inventa..". Acho que é mais ou menos assim. Nossa memória tem o dom de maximizar acontecimentos, nossa memória é bem dramática, por sinal. Será que foi tudo aquilo ou não foi nada disso?
Ficam as dúvidas e as lembraças, certas ou incertas, não sei, mas fortes.
Bjo
Eu me perco em lembranças e me confundo entre sonho e realidade, quando se trata dela.
Beijos
também me sinto constantemente enganada pelas minhas lembranças
e o pior
elas me distraem e me impedem de olhar
para o futuro
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