setembro 02, 2010

Maria

Maria anda como eu. Impossibilitada de fazer tudo o que quer. Tem mãos amarradas, ar de doente, olhar de demente, cansada. Maria vai acabar como eu: Covarde nas decisões, amante das cousas indefinidas e querendo compreender suicidas. Maria vai acabar assim sem rumo, andando por aí, fazendo versos e tendo acessos nostálgicos. Maria vai acabar bem tristemente. De qualquer jeito, lendo jornais, tendo marido indefinido (Não sei porque Maria quer compreender muito, demais a vida do suicida e Maria vai acabar se fartando da vida). A vida, coitada, é camarada, gosta de Maria, quer fazer Maria viver mais, porque Maria é desgraçada, quer deixá-la para o fim, assim a mostra, e eu francamente não entendo porque Maria não gosta da vida.

Hilda Hilst

5 comentários:

Lis. disse...

Ninguém avalia tão caro o nosso merecimento, como o nosso amor-próprio.

Marquês de Maricá.

Déia disse...

Foge rápido dessa situação!
Aja, mude, busque...pra tudo tem um jeito!

bj

Leni.com disse...

Belo texto,bela escolha...a vida não tem fõlego!

Zé Carlos disse...

Josi, seu blog é excelente e sou novo seguidor.
Venha sempre que puder que me dará um grande prazer.....

Beijos do Zé Carlos

Valéria Russo disse...

josi..
esse texto da hilda é perfeito.
muito especial essa postagem.
bjuivos no seu coração.
loba.