Maria anda como eu. Impossibilitada de fazer tudo o que quer. Tem mãos amarradas, ar de doente, olhar de demente, cansada. Maria vai acabar como eu: Covarde nas decisões, amante das cousas indefinidas e querendo compreender suicidas. Maria vai acabar assim sem rumo, andando por aí, fazendo versos e tendo acessos nostálgicos. Maria vai acabar bem tristemente. De qualquer jeito, lendo jornais, tendo marido indefinido (Não sei porque Maria quer compreender muito, demais a vida do suicida e Maria vai acabar se fartando da vida). A vida, coitada, é camarada, gosta de Maria, quer fazer Maria viver mais, porque Maria é desgraçada, quer deixá-la para o fim, assim a mostra, e eu francamente não entendo porque Maria não gosta da vida.
Hilda Hilst
5 comentários:
Ninguém avalia tão caro o nosso merecimento, como o nosso amor-próprio.
Marquês de Maricá.
Foge rápido dessa situação!
Aja, mude, busque...pra tudo tem um jeito!
bj
Belo texto,bela escolha...a vida não tem fõlego!
Josi, seu blog é excelente e sou novo seguidor.
Venha sempre que puder que me dará um grande prazer.....
Beijos do Zé Carlos
josi..
esse texto da hilda é perfeito.
muito especial essa postagem.
bjuivos no seu coração.
loba.
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