abril 08, 2011

Cinzas

A vida pára quando as vozes não mais acordam os furacões. E resta o vazio monocromático das cinzas. Sem surpresas, sem poemas, sem loucuras, sem sabor. As cinzas tantas vezes reviradas na esperança de manter a última centelha daquele fogo de inverno, nem sabem que foram chamas, brasas, calor. Ouça o vento frio que entra pelas frestas, nas feridas e na alma. O que queimava agora é só poeira. A energia se foi, como a luz, o calor e o pó. O caminho reverso é impossível. Inutil tentar juntar os pedaços. Dias enormes, uns iguais aos outros. Noites enormes. Sonhos em vão. Tudo se repete. Nada faz sentido.

7 comentários:

Lisa disse...

Que lindo, Jaci... Um bocado triste, mas ainda assim lindo!

Rafael Ayala disse...

Eu não quero tais cinzas, se o amor ou a vida são fogueiras espero ter sempre a força e sagacidade necesárias para mantê-las sempre acesas. Texto muito bom e triste =]

C.M disse...

o resto...o fim.
MAGNÍFICO!!! Perfeita tradução e uso das palavras.
Já explorei este tema, mas o seu ficou perfeito. http://terceirotres.blogspot.com/2010/08/cinzas.html

Quei.Nina disse...

Você por vezes adivinha pensamentos e os coloca no papel....
Maravilhoso.

Josi Puchalski disse...

Gosto e espero que seja teu "Eu lírico" falando, apenas. bjo

Eutímicas ás Avessas disse...

As vezes, durante a madrugada, leio todos teus textos.

Jaci disse...

quem será a criatura do ultimo comentário??